Brasília é uma cidade que tem vários museus, salas de teatros e galerias de
artes. Mas mesmo tendo um espaço muito grande voltado para a cultura, muitos
artistas não são reconhecidos.
Brasília sempre foi referência nacional quando o assunto é cultura. A cidade recebe com freqüência grandes peças de teatro, exposições de acervos e apresentações de músicos renomados.
Mas existe em Brasília um cenário muito forte de artistas talentosos que não chegam às grandes galerias.
Não é difícil encontrar pelas ruas da cidade manifestações alternativas de cultura. Nas estações de metrô, em praças públicas ou até mesmo em eventos mais estruturados, pode-se notar que a Capital Federal tem um cenário de cultura urbana muito forte.
Alguns desses artistas escolheram o cenário underground, forma como é chamado o ambiente alternativo onde se pode apresentar diferentes formas de arte, para ser palco de suas obras, mas a maioria desses artistas encontra uma dificuldade muito grande em conseguir espaço para expor suas obras em galerias como afirma Leandro José, 23, estudante de Artes Plásticas da Universidade de Brasília (UNB). “Realmente o espaço é muito concorrido, e existe um direcionamento para artistas já consagrados”, disse.
Ele também ressalta a preferência comercial de um tipo específico de arte que é consumido pelas grandes galerias. “existe uma exigência mercadológica muito acentuada em grande parte das galerias”. Ressalta.
Essa demanda comercial é claramente exposta no modo de seleção das obras expostas no Espaço Piloto, a galeria de exposições da UNB. Existem três formas de escolha para as obras que são expostas com explica Raquel Mendes, uma das funcionárias da instituição. “As exposições são feitas por estudantes que estão se formando no curso de Artes Plásticas da universidade, através de editais ou propostas enviadas, que são julgadas por uma banca formada por profissionais da área, ou artistas convidados”. Declara.
As obras que são escolhidas por editais, ou convidados, geralmente vão para exposições que vendem o seu acervo, e na maioria das vezes as obras dos alunos que estão se formando vão para exposições que não tem fins lucrativos.
Uma vertente que vem ganhando cada vez mais espaço no cenário alternativo da cidade são os artistas ligados ao Hip Hop, movimento de forte cunho racial que provém da periferia da cidade e teve origem nos EUA.
Para o raper Van Lee, que faz seus improvisos em eventos alternativos pela cidade, existe uma carência muito grande na divulgação dessas manifestações artísticas. “É muito difícil ter um grande evento, existe uma dificuldade muito grande em conseguir espaço para se apresentar e mostrar nosso talento”. Diz.
Van Lee também expôs as dificuldades encontradas por outros artistas do movimento Hip Hop, como os grafiteiros e os dançarinos de Brake, ou dança de rua. “Geralmente os artistas ligados ao movimento do Hip Hop são discriminados pelo jeito de agir e pelo jeito como se vestem. Por isso muitas vezes a gente não tem aberturas para divulgar melhor o nosso trabalho”. Disse.
Mesmo tendo um grande número de artistas ligado ao Hip Hop, a maioria preferem não fazer grande divulgação de suas obras e continuam no anonimato.
Essa mesma dificuldade também acontece com a banda Os triturados do coração, composta por três jovens de Brasília. A banda se apresentou no último dia 21, domingo, em um festival de música alternativa na cidade de Valparaíso de Goiás. “Falta um reconhecimento das bandas que estão começando agora, principalmente na questão de estrutura e pagamento”, afirma Rodrigo Cerpa, baixista da banda.
Mesmo tendo um reconhecimento a nível nacional em relação a eventos culturais, Brasília tem uma demanda de manifestações artísticas muito ricas que não chega as grandes galerias, salas de exibições e palcos bem estruturados.
Falta um interesse maior por parte das grandes agências e produtoras que não voltam as suas atenções para esse cenário, deixando assim escapar uma parte muito interessante de uma cultura que continua escondida pelos bares e esquinas da cidade.
Entrevista
Os Triturados pelo Coração nasceram no início de 2006, em Brasília, do desejo de dois amigos: formar uma banda de rock'n roll dentro do velho espírito da simplicidade e energia provenientes da jovem-guarda e do que foi chamado de iê-iê-iê. Aos amigos Rodrigo e PH, que tocam baixo e bateria, respectivamente, juntou-se o guitarrista e amigo Mário, que consolidou a banda como um trio e trouxe-lhe influências marcantes de rockabilly e blues.
No último dia 21 a banda Os triturados do coração, se apresentou em um festival em Valparaíso de Goiás. Minutos antes de a banda subir ao palco, eles responderam a algumas perguntas.
Carlos Freitas- como surgiu a banda?
(PH) – Através de um projeto antigo do Rodrigo em construir uma banda de rock que tinha um estilo dos anos 60, como eu gostei da idéia começamos a planejar tudo, foi ai que convidamos o nosso amigo MARIOJORGE.
Carlos Freitas- Vendo vocês fica difícil de acreditar que são membros de uma banda. Cada um tem seu estilo?
(Rodrigo) Gosto de me vestir assim, além de tudo com sou funcionário Público!
(Mario Jorge) Ele sempre gostou de andar assim, faz o lado mais melódico da banda.
Carlos Freitas- Por que anos 60?
(PH) Temos também uma pegada do rock atual(IEEI) moderna, juntamos com estilo Roca bile e outros.
(Rodrigo) Nuca teve menções de fazer sucesso com as músicas do passado. Agente pega um pouco daqui e da li. Algumas pessoas até pensa que somos retro, más não é isso, é estilo mesmo.
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